sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A saúde no século XXI

Acad. José Márcio Soares Leite,

O desenvolvimento econômico brasileiro, no início do século XX, mais especificamente a partir da Revolução de 30, foi marcado pela substituição do modelo agrário-exportador pelo modelo nacional-desenvolvimentista, caracterizado por um processo de industrialização crescente que, se por um lado possibilitou o aumento do produto interno bruto (PIB), por outro gerou desigualdades regionais profundas, bolsões de pobreza e exclusão social nas grandes cidades, com reflexos na saúde da população.
Comparando os dados do censo demográfico de 2010 com os de 1940 verifica-se um aumento significativo da população brasileira, que passou de 41.165.000 para 190.732.694 habitantes. A urbanização foi um processo que caracterizou este período, na medida em que três quartos da população - de 15% em 1940 para 84% - hoje vivem nas cidades, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2010). À guisa de comparação, internacionalmente, o grau de urbanização no mundo, há poucos anos, ultrapassou 50%.
A esperança de vida ao nascer e aos 60 anos de idade aumentou progressivamente em todas as regiões brasileiras, para ambos os sexos. Esta passou de 57,4 anos em 1960 para 73,48 anos em 2010, segundo o IBGE, revelando um significativo envelhecimento populacional. Isso se deve a vários fatores e condições, especialmente a um avanço tecnológico científico no campo biomédico, ao desenvolvimento de terapêuticas e técnicas de vacinas, a uma maior cobertura de saneamento básico no país, o que resultou em uma redução da mortalidade geral e infantil, associada à diminuição da fecundidade e da natalidade (Quality analysis of Brasilian vital statistics: the experience of implermenting the SIM and SINASC systems. Mello Jorge. M.H.P. e Gotlieb. S.L.D. Faculdade de saúde Pública de SP. 2000).
Assim, no início do século XXI, as doenças cardiovasculares, as neoplasias (cânceres) e as causas externas (acidentes e violências) representam as três principais causas de morte no Brasil, caracterizando o modelo de transição epidemiológica como tardio e polarizado. Nesse modelo, coexistem doenças ditas do atraso (doenças infecciosas e parasitárias) com doenças da modernidade (doenças e agravos não transmissíveis).
Os dados aqui citados são relevantes porque historicamente, no Brasil, cuidou-se das questões da área da saúde, esquecendo-se de que o processo saúde-doença está diretamente imbricado ao que se conhece hodiernamente por campo da saúde (Lalonde.M. A new perspective on the health of Canadians: a working document. Ottawa: Department of Health and Wealfare. 1974). Ou seja, os fatores condicionantes ou determinantes do processo saúde-doença estão focados basicamente em quatro componentes, a saber: biologia humana (genética), meio ambiente e estilo de vida (hábito de fumar, beber etc) e organização dos serviços de saúde.
Dando continuidade ao estudo dos fatores citados por Lalonde, 10 anos mais tarde, a professora Buck C.(Después de Lalonde: hacia la generación de salud. Boletim Epidemiológico de la OPS.1984: 10-6),ampliou essa concepção de meio ambiente, no sentido físico e material, para um sentido também social, ao considerar o que chamou de “entorno”, como o mais importante dos quatro elementos do “campo da saúde” de Lalonde, acrescentando: “...se o entorno não é adequado, tampouco o seriam a biologia humana, o estilo de vida e a organização da atenção à saúde”.
A professora Carol Buck prossegue sua assertiva, identificando fatores do “entorno” que podem constituir obstáculos para a saúde, denominando-os de “entornos perigosos”: a violência, a segurança dos meios de locomoção, as condições de risco no trabalho, a contaminação do ar e da água. Pelo oposto, denomina “entornos protetores” os relacionados às necessidades básicas do indivíduo (abrigo, vestimenta e alimentação) e a amenidades (cultura, lazer, arte, música, teatro), ou seja, tudo que contribua para facilitar e tornar agradável a vida.
No mesmo artigo, finalmente a dra. Carol destaca “a pobreza como potencializadora de todos os obstáculos à saúde anteriormente referidos, pois são os pobres que vivem os entornos perigosos, os que não podem satisfazer às suas necessidades básicas e carecem de meios para usufruir de amenidades, são os que ocupam postos de trabalho estressantes e não gratificantes, quando empregados, e os que estão isolados das fontes de informação e de estímulo”.
O que se depreende, dos estudos da Epidemiologista Carol Buck, é que não é possível melhorar os outros elementos do campo da saúde de Lalonde sem mudar o “entorno”, pois todos eles estão inseparavelmente unidos a este. Essa perspectiva parte da premissa de se conceituar “saúde” com uma concepção positiva em que um indivíduo ou grupo podem, por um lado, realizar suas aspirações e satisfazer às suas necessidades e, por outro, mudar seu “entorno” ou enfrentá-lo.
Administrar a saúde, portanto, no século XXI, no Brasil, não é uma missão tão fácil, porque mesmo que se reconheça a amplitude de sua moderna concepção epidemiológica e social, mesmo que se trabalhe de forma integrada e intersetorial, não se pode desconhecer, no caso brasileiro, a imensa pressão social e política por serviços assistenciais, também ditos curativos. Desde a Colônia, depois no Império, secundados pela República velha e na atual, a primazia foi dada aos hospitais, ou seja, ao modelo hospitalocêntrico, que cura o indivíduo, mas não cura a coletividade.
Vencer esse paradigma, entender que a saúde deve ser considerada como um recurso aplicável à vida cotidiana e não como objeto dessa vida, buscando alcançar efetivamente uma melhoria nos indicadores básicos de saúde, eis o grande desafio dos governos neste século.




A PROVA DE OBSTETRÍCIA.

Aymoré Alvim

            O ano era de 1965. Estávamos no 5º ano da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Maranhão. Nossa turma era pequena. Éramos apenas vinte e um alunos. Um deles era Rodrigo de Sousa Pinto, o Rodrigão, que sempre se apresentava como “Rodrigorum vostrorum amigorum”. Gente muito fina, boa praça, bom papo, sempre alegre e bonachão.
            Não tinha a virtude dos bons alunos, mas não era relaxado. Estudávamos em grupo e Rodrigão sempre estudava bastante. Com algumas dificuldades, ia passando de ano. Era expert em provas de segunda época. Tirava de letra.
            Nas provas finais daquele ano, algo inusitado ocorreu com Rodrigão, na de Obstetrícia.
            A prova era prático-oral. Local: Maternidade Benedito Leite. Na vez de Rodrigão...
- Seu Rodrigo, perguntou-lhe o professor, de quanto você está precisando para nos deixar em paz?
- Que é isso, mestre, eu gosto muito de suas aulas. Mas como o senhor está perguntando, 6 (seis) já me é suficiente.
- E você estudou bastante?
- Como soe acontecer, meu mestre, não desgrudei a vista do “Resende” (livro de Obstetrícia) à noite toda. Tô com tudo, na ponta da língua.
- Então, vamos lá.
- Pra onde, mestre?
- Pra parte alguma. O sr. quer brincar comigo, seu Rodrigo?
- De que, mestre?
- Seu Rodrigo, não me tire do sério, seu Rodrigo.
- Mas de jeito algum, meu caro professor.
- Ah! Bem. Vamos ver se estudou mesmo como diz. Diga-me o que é aborto.
- Ah!, professor, nem me fale. É algo horrível, penoso. Eu mesmo nunca vi um, mas imagino a dor que a mulher deve sentir. E a criancinha, o senhor já imaginou?
            Nelson Parada, Israel e Weber não paravam de rir.
- Seu Rodrigo, não me faça perder a paciência com o senhor.
- Que é isso, professor, se o senhor acha que não doi, eu retiro tudo que eu disse. Vamos esquecer essas particularidades.
            O professor levou, então, Rodrigão para o leito de uma senhora que estava em trabalho de parto.
- Diga-me, quantos meses faz que esta mulher ficou grávida.
- Professor, eu não gosto de me meter na vida particular de ninguém. Isso é segredo dela com o marido. Mas se o senhor faz mesmo questão de saber, pergunte pra ela. Não me meta nisso, professor.
- Ah!, seu Rodrigo, o senhor é um caso perdido. Vamos à última pergunta. Vou fazê-la de outra maneira. É dez ou zero.
- Quanto tempo tem a gestante?
- Qual delas, mestre? A mulher estava morta de rir.
- Essa senhora aí na sua frente.
- Bem, vejamos. Rodrigão olhou por uns tempos para a mulher, ficou pensando alguns segundos e disparou....
- Meu caro professor, após examiná-la, minuciosamente, cheguei à conclusão de que ela deve está beirando a casa dos 40 anos. Acertei?
- É zero, seu Rodrigo.
- Mas, professor, onde foi que errei?
- Seu Rodrigo, eu lhe perguntei qual o tempo de gestação desta senhora.
- Ah!, professor, se o senhor tivesse me perguntado o tempo de evolução fetal, eu lhe diria que ela estava na 36ª semana, completando, portanto, os 9 meses, por isso estava entrando em trabalho de parto.
- Pois taí, seu Rodrigo, você é um gênio. Sua nota é 7.
- Só, professor, mas já dá pra passar. Bem que o senhor reconheceu meus dotes.
            A risada foi geral. Rodrigão, após as outras provas, foi concluir o sexto ano que correspondia ao estágio, no Rio de Janeiro. Nunca mais o vi, mas também nunca mais esqueci da prova de Obstetrícia de “R

MEDICUS E MÉDICOS.

Aymoré Alvim.

            Há algum tempo, após uma palestra sobre “Medicina, a Arte de curar”, um aluno se dirigiu a mim:
            - Professor, o que é mesmo Medicina?
            - Ah! Você não entendeu nada do que eu falei.
            - Não diga isso, professor, eu entendi tudinho. O caso é que o senhor falou de coisas que eu nunca tinha ouvido e me embaralhei todo. Afinal, quem é que cura é a Medicina ou o Médico?
            - Sozinhos nenhum. É preciso haver a aceitação, o querer tratar-se por parte do paciente, ou seja, é necessário que o paciente queira ficar curado senão, nada feito.
            - Mas professor, quem cura não é o médico? Caso contrário, por que ficar estudando tanto tempo?
            Primeiramente, você deve ter entendido quando lhes falei que cada um de nós Homo sapiens é uma unidade integrada por (4) quatro planos bem definidos: Biológico ou físico, Psíquico, Social e Espiritual. Em qualquer um destes planos podem ocorrer agravos que  repercutem no plano físico, ou seja, no corpo.
- Como assim?
- Você pode ser portador de um sentimento de culpa. Insônia, irritabilidade, depressão são manifestações visíveis dessa culpabilidade. O médico as identifica, mas a causa ele só saberá se o paciente lhe contar. Ocorre que o paciente não confia no médico, por isso não lhe conta a causa de todas essas manifestações e nem o médico procura despertar no paciente a credibilidade para que lh’as relate. Mesmo que o médico o medique ele não será curado, pois a medicação vai atingir só os efeitos, mas a causa continua lá.
- Complicou tudo outra vez. Lá onde, professor?
- No plano espiritual. É lá que surgem os sentimentos de culpa que se manifestam no plano físico. O médico não foi instruído para agir nesse plano. Logo, nesse caso, o mediador da cura não será o médico, mas sim um ente religioso a cuja confissão pertença o paciente.
- Mas não é sempre o médico o agente do processo de cura?
- A História nos diz que nunca foi. No Paleolítico superior, por volta dos 50 mil a 40 mil anos atrás, quando se conclui que surgiu o que chamamos de Medicina Arte, os agravos ou as doenças eram concebidos como castigo dos deuses em represália a alguma falta ou ilicitude praticada que os desagradou. Nesse caso, a comunidade identificava entre os seus membros alguém que pudesse se comunicar com esses grandes espíritos ou deuses para suplicar-lhes a cura desse doente ou da comunidade.
- Eram, então, os xamãs, pajés, feiticeiros, sacerdotes, curadores. E o senhor quer colocar os médicos no meio dessa turma?
- Eu não. Ele já está.
- Como assim?
- Vejamos. Eram os deuses que detinham a causa das doenças, logo, somente eles sabiam curá-las. Como faziam isso? Através desses entes de cura ou desses mediadores aos quais os deuses ensinavam a arte de curar para que eles completassem a ação.
- Complicou de novo um pouco, mestre. Mas, tô no caminho.
- Muito bem. Continue seguindo esta linha de raciocínio. Quando a medicina paleolítica ou primitiva passou pela Grécia dos filósofos, 500 a 350 anos a.C., o senhor Hipócrates deu uma nova conotação à etiologia das doenças, um cunho mais natural. Tirou a causa primária desses agravos dos caprichos dos deuses e a atribuiu a uma ruptura no equilíbrio do organismo com o seu meio externo ou interno. Para que esse equilíbrio voltasse a se restabelecer era necessário preparar agentes que tivessem bom conhecimento tanto dos indivíduos quanto dos meios com os quais interagem.
- Como assim?
- Veja. Se esses entes, inclua aqui o médico, não foram o causador do agravo ou do desequilíbrio, com certeza não poderiam restabelecê-los conhecendo somente os efeitos.
- E aí, quem é agora o detentor do saber?
- A Ciência Médica. Ela é que vai instruir o médico como proceder para recuperar esse desequilíbrio.
- Estou entendendo.
- Prossigamos. O médico por tradição histórico-cultural está na linha de frente do processo de cura. Independente donde ocorra o agravo, as suas manifestações repercutem sempre, no plano biológico ou físico. Portanto, cabe a ele, num primeiro momento, buscar e analisar os sinais ou sintomas manifestados, no plano físico, por esses agravos. O estudo da Semiologia ou dos sinais clínicos é para isto. Não esqueçamos que ao longo da história a arte de curar sempre foi tida como algo místico ou exotérico.
- Certo, professor..
- Pois bem, após o estudo dos sinais, cabe ao médico interpretar com os dados colhidos no exame físico e na história do paciente as possíveis causas determinantes do agravo. É o diagnóstico (conhecer através de). A partir daí poderá prescrever o que a ciência lhe propuser, nestes casos (Receituário) ou encaminha-lo a quem poderá o fazer. Por isso, o exaustivo período de seis anos de preparação  não basta. O médico para o bom exercício dos seus haveres deve estudar enquanto praticar a arte de curar ou a medicina.
- Mestre, esse finzinho eu não captei muito bem.
- Vamos, então, tentar captar. O médico não detém o monopólio da arte de curar nem do saber médico. Ele é apenas o mediador (do latim Medicus), a ponte que se estabelece entre o paciente e as Ciências Médicas que são o conjunto de saberes e experiências produzidos e acumulados, ao longo dos tempos,  que nos são legados pelas gerações que nos antecederam. Cabe a nós, no nosso momento histórico, interpretá-los, usá-los e agregarmos as nossas experiências para enriquecê-los e atualizá-los para as gerações futuras.
- Por isso, o exercício da arte de curar, em qualquer dos quatro planos referidos, é um desafio que exige do médico sabedoria para conduzir-se, no exercício da profissão; humildade para saber até onde os seus conhecimentos o permitam chegar e amor, solidariedade, compaixão para se colocar sempre, no lugar do seu paciente, com a sua fragilidade, insegurança e seus medos. A Medicina, desde os primórdios, foi concebida com um ato de amor, misericórdia. E se não o for não é medicina.
- Ah! Professor, maneiro esse negócio de medicina. Beleza. Quer dizer que ser médico é vaidade e ser Medicus é beleza pura?.
            - É isso aí, meu. Beleza! Vi que entendeu tudo.

E nos despedimos.

MEDICUS E MÉDICOS.

Aymoré Alvim.

            Há algum tempo, após uma palestra sobre “Medicina, a Arte de curar”, um aluno se dirigiu a mim:
            - Professor, o que é mesmo Medicina?
            - Ah! Você não entendeu nada do que eu falei.
          - Não diga isso, professor, eu entendi tudinho. O caso é que o senhor falou de coisas que eu nunca tinha ouvido e me embaralhei todo. Afinal, quem é que cura é a Medicina ou o Médico?
            - Sozinhos nenhum. É preciso haver a aceitação, o querer tratar-se por parte do paciente, ou seja, é necessário que o paciente queira ficar curado senão, nada feito.
            - Mas professor, quem cura não é o médico? Caso contrário, por que ficar estudando tanto tempo?
            Primeiramente, você deve ter entendido quando lhes falei que cada um de nós Homo sapiens é uma unidade integrada por (4) quatro planos bem definidos: Biológico ou físico, Psíquico, Social e Espiritual. Em qualquer um destes planos podem ocorrer agravos que  repercutem no plano físico, ou seja, no corpo.
- Como assim?
- Você pode ser portador de um sentimento de culpa. Insônia, irritabilidade, depressão são manifestações visíveis dessa culpabilidade. O médico as identifica, mas a causa ele só saberá se o paciente lhe contar. Ocorre que o paciente não confia no médico, por isso não lhe conta a causa de todas essas manifestações e nem o médico procura despertar no paciente a credibilidade para que lh’as relate. Mesmo que o médico o medique ele não será curado, pois a medicação vai atingir só os efeitos, mas a causa continua lá.
- Complicou tudo outra vez. Lá onde, professor?
- No plano espiritual. É lá que surgem os sentimentos de culpa que se manifestam no plano físico. O médico não foi instruído para agir nesse plano. Logo, nesse caso, o mediador da cura não será o médico, mas sim um ente religioso a cuja confissão pertença o paciente.
- Mas não é sempre o médico o agente do processo de cura?
- A História nos diz que nunca foi. No Paleolítico superior, por volta dos 50 mil a 40 mil anos atrás, quando se conclui que surgiu o que chamamos de Medicina Arte, os agravos ou as doenças eram concebidos como castigo dos deuses em represália a alguma falta ou ilicitude praticada que os desagradou. Nesse caso, a comunidade identificava entre os seus membros alguém que pudesse se comunicar com esses grandes espíritos ou deuses para suplicar-lhes a cura desse doente ou da comunidade.
- Eram, então, os xamãs, pajés, feiticeiros, sacerdotes, curadores. E o senhor quer colocar os médicos no meio dessa turma?
- Eu não. Ele já está.
- Como assim?
- Vejamos. Eram os deuses que detinham a causa das doenças, logo, somente eles sabiam curá-las. Como faziam isso? Através desses entes de cura ou desses mediadores aos quais os deuses ensinavam a arte de curar para que eles completassem a ação.
- Complicou de novo um pouco, mestre. Mas, tô no caminho.
- Muito bem. Continue seguindo esta linha de raciocínio. Quando a medicina paleolítica ou primitiva passou pela Grécia dos filósofos, 500 a 350 anos a.C., o senhor Hipócrates deu uma nova conotação à etiologia das doenças, um cunho mais natural. Tirou a causa primária desses agravos dos caprichos dos deuses e a atribuiu a uma ruptura no equilíbrio do organismo com o seu meio externo ou interno. Para que esse equilíbrio voltasse a se restabelecer era necessário preparar agentes que tivessem bom conhecimento tanto dos indivíduos quanto dos meios com os quais interagem.
- Como assim?
- Veja. Se esses entes, inclua aqui o médico, não foram o causador do agravo ou do desequilíbrio, com certeza não poderiam restabelecê-los conhecendo somente os efeitos.
- E aí, quem é agora o detentor do saber?
- A Ciência Médica. Ela é que vai instruir o médico como proceder para recuperar esse desequilíbrio.
- Estou entendendo.
- Prossigamos. O médico por tradição histórico-cultural está na linha de frente do processo de cura. Independente donde ocorra o agravo, as suas manifestações repercutem sempre, no plano biológico ou físico. Portanto, cabe a ele, num primeiro momento, buscar e analisar os sinais ou sintomas manifestados, no plano físico, por esses agravos. O estudo da Semiologia ou dos sinais clínicos é para isto. Não esqueçamos que ao longo da história a arte de curar sempre foi tida como algo místico ou exotérico.
- Certo, professor..
- Pois bem, após o estudo dos sinais, cabe ao médico interpretar com os dados colhidos no exame físico e na história do paciente as possíveis causas determinantes do agravo. É o diagnóstico (conhecer através de). A partir daí poderá prescrever o que a ciência lhe propuser, nestes casos (Receituário) ou encaminha-lo a quem poderá o fazer. Por isso, o exaustivo período de seis anos de preparação  não basta. O médico para o bom exercício dos seus haveres deve estudar enquanto praticar a arte de curar ou a medicina.
- Mestre, esse finzinho eu não captei muito bem.
- Vamos, então, tentar captar. O médico não detém o monopólio da arte de curar nem do saber médico. Ele é apenas o mediador (do latim Medicus), a ponte que se estabelece entre o paciente e as Ciências Médicas que são o conjunto de saberes e experiências produzidos e acumulados, ao longo dos tempos,  que nos são legados pelas gerações que nos antecederam. Cabe a nós, no nosso momento histórico, interpretá-los, usá-los e agregarmos as nossas experiências para enriquecê-los e atualizá-los para as gerações futuras.
- Por isso, o exercício da arte de curar, em qualquer dos quatro planos referidos, é um desafio que exige do médico sabedoria para conduzir-se, no exercício da profissão; humildade para saber até onde os seus conhecimentos o permitam chegar e amor, solidariedade, compaixão para se colocar sempre, no lugar do seu paciente, com a sua fragilidade, insegurança e seus medos. A Medicina, desde os primórdios, foi concebida com um ato de amor, misericórdia. E se não o for não é medicina.
- Ah! Professor, maneiro esse negócio de medicina. Beleza. Quer dizer que ser médico é vaidade e ser Medicus é beleza pura?.
            - É isso aí, meu. Beleza! Vi que entendeu tudo.

E nos despedimos.

DIRETORIA: 2016 - 2017

DIRETORIA 2015 / 2017.


Presidente: Aymoré de Castro Alvim
Vice-Presidente: Maria do Desterro Soares Brandão Nascimento
Secretário-Geral: Eloísa da Graça do Rosário Gonçalves
Secretário-Adjunto: Melina Silva Moreira
Tesoureiro: Andrea Marques da Silva Pires
Coordenador de Eventos Científicos e Sociais: Aldir Penha Costa Ferreira

São Luís, 23 de janeiro de 2015.

Prof. Aymoré Alvim.

Presidente

sábado, 12 de setembro de 2015

IV CONGRESSO MARANHENSE DE HISTÓRIA DA MEDICINA E XXIV JORNADA DE PARASITOOGIA E MEDICINA TROPICAL DO MARANHÃO.

IV CONGRESSO MARANHENSE DE HISTÓRIA DA MEDICINA
E
XXIV JORNADA DE PARASITOLOGIA E DOENÇAS TROPICAIS DO MARANHÃO.
São Luís, 12, 13 e 14 de novembro de 2015.

LOCAL: Conselho Regional de Medicina do Maranhão.
Rua Carutapera, 02, Qdra. 14 – Jardim Renascença
São Luís – Maranhão.

Tema principal: As Doenças Tropicais, na História da Medicina do Maranhão.
PROMOÇÃO: Sociedade Maranhense de História da Medicina, Sociedade de Parasitologia e Doenças Tropicais do Maranhão e Departamento de Patologia – UFMA.

PATRONESSE:
Profa. Moema de Castro Alvim.

PRESIDENTE DO IV CONGRESSO: Profa. Eloisa da Graça do Rosário Gonçalves.
COORDENADORA DA XXIV JORNADA: Profa. Geusa Felipa de Barros Bezerra.

COMISSÃO ORGANIZADORA
Presidente: Graciomar Conceição Costa.
- Membros: Eloísa da Graça do Rosário Gonçalves e Geusa Felipa de Barros Bezerra.

COMISSÃO CIENTÍFICA:
Presidente: Graciomar Conceição Costa.
- Membros: Andrea Marques da Silva Pires, Aymoré de Castro Alvim, Maria do Desterro S. B. Nascimento, Ruy Palhano da Silva, Flávia Raquel Fernandes Nascimento, José Albuquerque de Figueiredo Neto e Raimundo Nonato Martins Cutrim.
COMISSÃO DE TEMAS-LIVRES.
Presidente: Aldir Penha Costa Ferreira.
- Membros: Helena Santos, Lúcia Fernanda Bastos Viana, Melina Moreira, Rebeca Costa Castelo Branco, , Israel Ferreira Marques Júnior, Raissa Lorena Brito Amorim, Walbert Edson Muniz Filho, Marcos Antônio C. Neto da Silva e Gabrielle Meirelles Rodrigues.

COMISSÃO DE APOIO ACADÊMICO.
Coordenadora: Isabella Mikaella Souza Campos D’Albuquerque
- Membros: Andrey Salgado Moraes Filho, Yuri Nassar, Raissa Alves, Laís Lucena Silveira, Ana Paula Veloso Alvim, Bianca Santos Serra, Guilherme Araújo Rayol, Fabíola Nassar, Carina Braúna Leite, Leonardo Oliveira Alves Borborema Júnior, Marcos Adriano Garcia Campos, Gustavo Ribeiro Féres Moraes Rêgo, Iuri Almeida Matias da Paz, Edith Mendonça e Camila Brito Rodrigues.

NATUREZA DO EVENTO:
CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DOS TRABALHOS A SEREM ENVIADOS PARA APRESENTAÇÃO ORAL.

A. Normas Gerais:

1. Serão aceitos pela Comissão Científica os resumos que se ajustem a estas NORMAS.
2. A apresentação dos trabalhos será apenas oral.
3. Ao inscrever um trabalho, fica implícita a autorização do autor à Comissão Científica para publicar o resumo impresso, nas páginas da SMHM na web, para maior divulgação dos eventos.
Os trabalhos devem contribuir para a promoção e desenvolvimento do estudo da História da Medicina e das Patologias Tropicais, principalmente, do Maranhão.
4. Cada trabalho deverá ter, no máximo, 06 (seis) autores (autor e coautores) e o nome do apresentador do trabalho deve estar sublinhado. Cada pessoa só poderá figurar como autor, no máximo, em 3 (três) trabalhos.
5. O prazo para inscrição de trabalhos vai de 20 (vinte) de julho a 10 (dez) de outubro de 2015.
6. Todos os autores e coautores deverão estar inscritos nos eventos. Uma só inscrição vale para os dois eventos.
7. O resumo de cada trabalho deve ser enviado em word juntamente com a cópia do recibo de depósito (quem mora fora de São Luís) pelos e-mails: (historiadamedicina.ma@gmail.com ou smh.ma@yahoo.com.br). Ao mesmo tempo, enviar, também, em folha anexa: Nome completo, e-mail ou telefones.
8. O pagamento da Inscrição deve ser efetuado, na Caixa Econômica Federal, na conta corrente nº 001. 023.425-6, Agência nº 1577 para os residentes fora de São Luís.
9. Para os que residem na sede dos Congressos as inscrições serão feitas com os membros da Comissão de Apoio Acadêmico e na Secretaria do Conselho Regional de Medicina com as Sras. Rosana ou Lívia.
10. Somente os inscritos farão jus ao certificado de participação nos eventos.
11. Poderão inscrever trabalhos professores, outros profissionais e alunos das áreas da Saúde, História, Psicologia, Antropologia e de áreas afins. Pode se inscrever, ainda, qualquer pessoa que se interesse pelos assuntos a ser tratados, neste evento.
12. A Comissão Científica informará ao autor principal de cada trabalho, via e-mail, se o mesmo foi aceito e qual o dia, hora e lugar da apresentação.
13. Para o fim de manter a organização da apresentação dos trabalhos, não será permitido após as informações constantes do item anterior qualquer alteração de dia, horário da apresentação do Tema Livre. O trabalho que não for apresentado no dia e horário estabelecido será eliminado.
14. Em caso de não recebimento da resposta de aceite dos trabalhos, dirigir-se ao Presidente da Comissão Científica pelos e-mails já referidos.

B. Normas para a confecção do resumo do trabalho:

1. O resumo deverá ser escrito no word e conter, no máximo, 3000 toques incluindo espaços e sinais ortográficos.
2. Deverá constar de: Introdução, objetivos, metodologia, resultados e conclusões.
3. O resumo deve ser apresentado como segue:
- Título: Arial 12, com negrito e maiúscula. Autores: Arial 11. ( Grifar o apresentador do trabalho). Instituição: Arial 11. Texto: Arial 10, espaço simples. (Não é necessário incluir títulos ou graus acadêmicos). Para contagem de caracteres utilize o software tipo Word. A seguir, envie o resumo para a Comissão Científica conforme o disposto na alínea 7 (sete) do item anterior (A).
4. As apresentações serão em Power Point. Os arquivos devem ser entregues, pessoalmente, na Secretaria do Congresso, no dia da apresentação em Pen Drive devidamente identificado.
6. Serão destinados 10 minutos para a apresentação oral e 5 minutos para perguntas ou discussão.
7. Qualquer situação não contemplada, nestas Normas, será resolvida pela Comissão de Temas-Livres.

C. Certificados e Diplomas.

1. Os autores e coautores de Temas Livres, desde que devidamente inscritos nos eventos, receberão certificado de participação e apresentação de trabalho, nas sessões de Temas Livres.
2. O autor e coautores, desde que estudantes de graduação, devidamente matriculados em Cursos ou Faculdades regulares, cujo trabalho foi classificados em 1º lugar pela Comissão de Temas-Livres, nas respectivas áreas do evento, receberão, na sessão de encerramento, o Prêmio Professor Olavo Correia Lima para o trabalho sobre História da Medicina e o Prêmio Prof. Odilon Soares para o de Parasitologia ou Medicina Tropical. O 2º e o 3º colocados, nas suas respectivas áreas, serão agraciados com Diplomas de Honra ao Mérito Acadêmico e prêmios em livro.

D. Taxa de Inscrição: Participantes Profissionais, estudantes e sócios da SMHM:
*Até 30 de outubro de 2015:
- R$ 50,00 para estudantes de graduação e sócios das SMHM e SPDTM.
- R$ 80,00 para professores, pós-graduando e demais profissionais.
*Depois de 30 de outubro (somente no evento e em espécime):
- R$ 70,00 para Estudantes de graduação e sócios da SMHM e SPDTM..
- R$ 100,00 para professores, pós-graduando e demais profissionais.

PROGRAMA.

DIA 12 /11/2015 (quinta-feira).

08:00 – 09:00h. RECEBIMENTO DE MATERIAL.
09:00 – 10:00h. SESSÃO SOLENE DE ABERTURA: Palavra da Presidente do
Congresso - Prof. Eloísa da Graça do Rosário Gonçalves e da
Coordenadora da XXIV Jornada, Profa. Geusa Felipa de Barros
Bezerra.
10:00 – 10:15h. COFFEE BREAK
10:15 – 11:00h. CONFERÊNCIA: Doenças Infecciosas e Parasitárias, na História da
Medicina.
- Conferencista: Jackson Maurício Lopes Costa (FIOCRUZ/ BA).
11:00 - 12:15h. PAINEL: Avanços Científicos e Tecnológicos, no Curso da História das
Doenças Infecciosas e Parasitárias.
- Temas e Painelistas:
 Avanços no Conhecimento da Geografia Médica.
- Lígia Vizeu (USP-SP).
 Avanços no Conhecimento da Genética das Doenças Infecciosas e Parasitárias
- Silma Regina Ferreira Pereira (UFMA/MA).
12:00 – 14:00h. INTERVALO
14:00 – 17:00h. TEMAS LIVRES - Locais: Auditórios I e II.
17:00 – 18:00h. COQUETEL DE ABERTURA.

DIA 13/11/2015 (sexta-feira).

08:30 – 10:30h. PAINEL: Situação Atual e Perspectivas de Controle das Doenças
Tropicais, Infecciosas e Parasitárias no Maranhão.
- Temas e Painelistas:
 Malária.
- Antônio Rafael da Silva (UFMA).
 Esquistossomose.
- Raimundo Nonato Martins Cutrim (UFMA).
 Doença de Chagas.
- Flávia Stela Rêgo Furtado (UFMA).
 Calazar.
- Ana Lúcia Abreu Silva (UEMA/MA).
10:30 – 11:00h Coffee break
11:00 – 12:00h. PAINEL: Viroses Emergentes: Fato Novo na História da Medicina.
- Temas e Painelistas:
 Virus Chikungunya e Zika.
– Maria dos Remédios Carvalho Branco. (UFMA).
 O Papel do LACEN-MA., na condução das epidemias virais.
- Representante do LACEN-MA.
12:00 – 14:00h. INTERVALO.
14:00 – 17:00h. TEMAS LIVRES: Auditórios 1 e 2
17:00 – 18:00h. Conferência: Transição Epidemiológica: o futuro das Doenças
Infecciosas e Parasitárias.
- Conferencista: Antônio Augusto Soares da Fonseca (UFMA/MA).

DIA 14/11/2015 (sábado).

08:00 – 11:00h . TEMAS LIVRES: Auditórios 1 e 2.
11:00 – 12:00h. SESSÃO SOLENE DE ENCERRAMENTO COM
PREMIAÇÃO DE TRABALHOS.

sábado, 25 de julho de 2015

MEDICUS E MÉDICOS.

Aymoré Alvim. AMM, SMHM.

Há algum tempo, após uma palestra sobre “Medicina, a Arte de curar”, um aluno se dirigiu a mim:
            - Professor, o que é mesmo Medicina?
            - Ah! Você não entendeu nada do que eu falei.
            - Não diga isso, professor, eu entendi tudinho. O caso é que o senhor falou de coisas que eu nunca tinha ouvido e me embaralhei todo. Afinal, quem é que cura é a Medicina ou o Médico?
            - Sozinhos nenhum. É preciso haver a aceitação, o querer tratar-se por parte do paciente, ou seja, é necessário que o paciente queira ficar curado senão, nada feito.
            - Mas professor, quem cura não é o médico? Caso contrário, por que ficar estudando tanto tempo?
            Primeiramente, você deve ter entendido quando lhes falei que cada um de nós Homo sapiens é uma unidade integrada por (4) quatro planos bem definidos: Biológico ou físico, Psíquico, Social e Espiritual. Em qualquer um destes planos podem ocorrer agravos que  repercutem no plano físico, ou seja, no corpo.
- Como assim?
- Você pode ser portador de um sentimento de culpa. Insônia, irritabilidade, depressão são manifestações visíveis dessa culpabilidade. O médico as identifica, mas a causa ele só saberá se o paciente lhe contar. Ocorre que o paciente não confia no médico, por isso não lhe conta a causa de todas essas manifestações e nem o médico procura despertar no paciente a credibilidade para que lh’as relate. Mesmo que o médico o medique ele não será curado, pois a medicação vai atingir só os efeitos, mas a causa continua lá.
- Complicou tudo outra vez. Lá onde, professor?
- No plano espiritual. É lá que surgem os sentimentos de culpa que se manifestam no plano físico. O médico não foi instruído para agir nesse plano. Logo, nesse caso, o mediador da cura não será o médico, mas sim um ente religioso a cuja confissão pertença o paciente.
- Mas não é sempre o médico o agente do processo de cura?
- A História nos diz que nunca foi. No Paleolítico superior, por volta dos 50 mil a 40 mil anos atrás, quando se conclui que surgiu o que chamamos de Medicina Arte, os agravos ou as doenças eram concebidos como castigo dos deuses em represália a alguma falta ou ilicitude praticada que os desagradou. Nesse caso, a comunidade identificava entre os seus membros alguém que pudesse se comunicar com esses grandes espíritos ou deuses para suplicar-lhes a cura desse doente ou da comunidade.
- Eram, então, os xamãs, pajés, feiticeiros, sacerdotes, curadores. E o senhor quer colocar os médicos no meio dessa turma?
- Eu não. Ele já está.
- Como assim?
- Vejamos. Eram os deuses que detinham a causa das doenças, logo, somente eles sabiam curá-las. Como faziam isso? Através desses entes de cura ou desses mediadores aos quais os deuses ensinavam a arte de curar para que eles completassem a ação.
- Complicou de novo um pouco, mestre. Mas, tô no caminho.
- Muito bem. Continue seguindo esta linha de raciocínio. Quando a medicina paleolítica ou primitiva passou pela Grécia dos filósofos, 500 a 350 anos a.C., o senhor Hipócrates deu uma nova conotação à etiologia das doenças, um cunho mais natural. Tirou a causa primária desses agravos dos caprichos dos deuses e a atribuiu a uma ruptura no equilíbrio do organismo com o seu meio externo ou interno. Para que esse equilíbrio voltasse a se restabelecer era necessário preparar agentes que tivessem bom conhecimento tanto dos indivíduos quanto dos meios com os quais interagem.
- Como assim?
- Veja. Se esses entes, inclua aqui o médico, não foram o causador do agravo ou do desequilíbrio, com certeza não poderiam restabelecê-los conhecendo somente os efeitos.
- E aí, quem é agora o detentor do saber?
- A Ciência Médica. Ela é que vai instruir o médico como proceder para recuperar esse desequilíbrio.
- Estou entendendo.
- Prossigamos. O médico por tradição histórico-cultural está na linha de frente do processo de cura. Independente donde ocorra o agravo, as suas manifestações repercutem sempre, no plano biológico ou físico. Portanto, cabe a ele, num primeiro momento, buscar e analisar os sinais ou sintomas manifestados, no plano físico, por esses agravos. O estudo da Semiologia ou dos sinais clínicos é para isto. Não esqueçamos que ao longo da história a arte de curar sempre foi tida como algo místico ou exotérico.
- Certo, professor..
- Pois bem, após o estudo dos sinais, cabe ao médico interpretar com os dados colhidos no exame físico e na história do paciente as possíveis causas determinantes do agravo. É o diagnóstico (conhecer através de). A partir daí poderá prescrever o que a ciência lhe propuser, nestes casos (Receituário) ou encaminha-lo a quem poderá o fazer. Por isso, o exaustivo período de seis anos de preparação  não basta. O médico para o bom exercício dos seus haveres deve estudar enquanto praticar a arte de curar ou a medicina.
- Mestre, esse finzinho eu não captei muito bem.
- Vamos, então, tentar captar. O médico não detém o monopólio da arte de curar nem do saber médico. Ele é apenas o mediador (do latim Medicus), a ponte que se estabelece entre o paciente e as Ciências Médicas que são o conjunto de saberes e experiências produzidos e acumulados, ao longo dos tempos,  que nos são legados pelas gerações que nos antecederam. Cabe a nós, no nosso momento histórico, interpretá-los, usá-los e agregarmos as nossas experiências para enriquecê-los e atualizá-los para as gerações futuras.
- Por isso, o exercício da arte de curar, em qualquer dos quatro planos referidos, é um desafio que exige do médico sabedoria para conduzir-se, no exercício da profissão; humildade para saber até onde os seus conhecimentos o permitam chegar e amor, solidariedade, compaixão para se colocar sempre, no lugar do seu paciente, com a sua fragilidade, insegurança e seus medos. A Medicina, desde os primórdios, foi concebida com um ato de amor, misericórdia. E se não o for não é medicina.
- Ah! Professor, maneiro esse negócio de medicina. Beleza. Quer dizer que ser médico é vaidade e ser Medicus é beleza pura?.
            - É isso aí, meu. Beleza! Vi que entendeu tudo.

E nos despedimos.