quarta-feira, 24 de junho de 2015

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra

                                                                   José Márcio Soares Leite*

De há muito no Brasil e no mundo, tem ocupado espaço nas discussões entre gestores da saúde publica, se devemos priorizar a medicina preventiva ou a curativa, quando da organização dos modelos de atenção à saúde.
 O Sistema Único de Saúde (SUS), criado na Constituição Federal de 1988, estabeleceu como um dos seus princípios basilares a integralidade da atenção à saúde, ou seja, uma saúde integral sem dicotomizar cura e promoção da saúde e prevenção das doenças, porém na prática não vingou, pois a medicina curativa continua hegemônica.
Essa dialética cura x prevenção vem de bem longe e nos remete à mitologia grega. Asclépio (Esculápio para os romanos), o filho de Apolo que se tornara deus da medicina, teve duas filhas a quem ensinou a sua arte: Hígia (de onde deriva higiene) e Panacéia. O nome desta última formou-se com a partícula compositiva pan (todo) e akos (remédio), em alusão ao fato de que Panaceia era capaz de curar todas as enfermidades. Pelo seu desejo, elas viveriam harmonicamente, porém Panacéia, terminou por estabelecer sua supremacia e ninguém mais quis saber dos conselhos de Hígia. 
A medicina curativa, alicerçada no componente individual e não coletivo manteve a sua primazia por muitos séculos.  Porém, no final do século XVIII e na primeira metade do século XIX, o processo de urbanização e industrialização na Europa provocou grandes transformações sociais, pois as condições de vida e de trabalho nas cidades estavam deterioradas e se fizeram acompanhar de um aumento da ocorrência de epidemias. Os médicos, envolvidos com o intenso movimento social que emergiu nesse período, ao relacionarem a doença com o ambiente, relacionavam-na também aos problemas sociais que a produziam.
Nesse contexto, a medicina fundia-se à política e expandia-se em direção ao espaço social, coletivo, como literalmente expressou-se o médico alemão Rudolf Virchow (1821-1902), o pai da patologia moderna e da medicina social, na célebre frase... "A medicina é uma ciência social e a política nada mais é do que a medicina em grande escala".
Ao iniciarmos o século XX, esse predomínio de ações curativas ou assistencialistas sobre as ações promocionais da saúde e preventivas das doenças ainda persistia e, mais que isso, atingiu seu ápice em muitos países europeus, sendo objeto, inclusive, nos Estados Unidos, de um Relatório Biomédico Flexneriano, em 1910,  elaborado pelo médico americano Abraham Flexner (1866-1959), que levou à consolidação de um modelo cujos rastros chegaram ao presente, o de escolas médicas integradas a universidades, ligadas a hospitais-escola, e onde a experimentação, o ensino das ciências básicas e a prática clínica têm lugar proeminente.
Em decorrência do predomínio da medicina curativa sobre a preventiva, os custos da assistência médica se tornaram proibitivos. Como alternativa, Dawson, Bertrand (Viscount Dawson of Penn) em 1920, por solicitação do governo inglês, propôs, por meio do Relatório Dawnson, uma nova  forma de organização dos sistemas de saúde, com duas características básicas. A primeira contempla a  descentralização da atenção à saúde para Territórios Assistenciais ou Distritos Sanitários, organizados por uma rede de serviços de saúde, hierarquizados por níveis de complexidade crescente das patologias, começando no domicílio, depois nos Centros de Saúde, Serviços Suplementares até o paciente chegar, se necessário, aos hospitais. A segunda característica é a integralidade, que favorece a indissociabilidade entre ações preventivas e curativas. Nascia, assim, o que conhecemos hoje por Atenção Primária em Saúde (APS).
Do ponto de vista histórico, Ham, Cristhofer (Evaluations and impacto of disease management programmes. Conference of Bonn. 2007), fez uma análise dos sistemas de atenção à saúde no mundo, mostrando que, até a primeira metade do século XX, eles se voltaram para as doenças infecciosas e, na segunda metade daquele século, para as condições agudas, que exigiam hospitalização e serviços de pronto socorro. E afirma que, nesse início de século XXI, os sistemas de atenção à saúde devem ser reformados profundamente pois “...a epidemiologia moderna mostra que a morbimortalidade prevalecente hoje, definida em termos de impactos sanitários e econômicos, gira em torno das doenças crônicas, que são ‘ambulatório sensíveis’, ou seja de tratamento ambulatorial em sua grande maioria”. Excluídas, obviamente, as causas externas, que compreendem os acidentes e violências.
Essas doenças crônicas precisam ser diagnosticadas o mais precocemente possível na atenção primária em saúde e ter seu tratamento iniciado antes de atingirem um estágio avançado ou mesmo sua agudização, por falta de acompanhamento, o que vai exigir médicos especializados e equipamentos de alta tecnologia médica, além do uso continuado de medicamentos de alto custo. 
A Atenção Primária em Saúde precisa organizar-se e funcionar efetivamente em todos os municípios. Ela tem baixa densidade tecnológica, mas alta relevância por envolver outras áreas como a sociologia, a antropologia, a economia, dentre outras, além da área da saúde, o que chamamos de produção social em saúde. A maioria dos municípios não têm recursos humanos e tecnologia para realizar ações de média e alta complexidade, que deve ficar sob responsabilidade do Estado, em cada Região de Saúde.
Os Sistemas de Saúde devem, pois, organizar-se como proposto por Dawson em redes descentralizadas integradas e articuladas desenvolvendo uma medicina integral, sem dicotomizar cura ou prevenção, seguindo o que nos ensina o velho provérbio português...“nem tanto ao mar, nem tanto a terra”.
*Professor Doutor em Ciências da Saúde. Presidente da Academia Maranhense de Medicina e Conselheiro do CRM/MA.
Publicado no jornal O Estado do Maranhão, de domingo 10 de maio de 2015

A SAÚDE DO POVO É A SUPREMA LEI

José Márcio Soares Leite*, AMM, SMHM, IHGM.


O século XXI será um século de enfrentamento na saúde pública brasileira, devido ao aumento da população de idosos e das doenças crônicas não transmissíveis,  como doenças cardiovasculares, respiratórias, renais, endócrinas, reumatológicas, pulmonares, com maior incidência do diabetes, da hipertensão, dos acidentes vasculares cerebrais e o câncer, que já respondem por aproximadamente 70% da morbimortalidade no Brasil e exigem a utilização de procedimentos médicos e medicamentos cada vez mais especializados e de altíssimo custo.
Essa realidade brasileira é agravada pelo descompasso entre o cumprimento do
dispositivo constitucional do direito à saúde e à vida e os orçamentos públicos para a saúde. Por maior que sejam o esforço e a disponibilidade dos governos nas esferas federal, estadual e municipais, não conseguem acompanhar a despesa sempre crescente de forma vertiginosa da saúde, tendo como consequência o que conhecemos como a judicialização da saúde, que tanto apoquenta os gestores públicos.
Eis a razão pela qual deve haver uma coerência entre a situação de saúde da população, expressa, especialmente, pelas situações demográficas e epidemiológicas e a organização dos sistemas de saúde.
Na realidade que encontramos na saúde em 2009, existia um verdadeiro bloqueio na continuidade do atendimento feito na atenção primária ou básica, ou seja, quando o usuário precisava fazer exames de apoio diagnóstico, consultas especializadas ou internações clínico-cirúrgicas, para confirmação diagnóstica e continuidade do seu tratamento, não lhe eram ofertadas as condições para isso.
A ausência, portanto, de serviços de média e alta complexidade, não garantindo a
integralidade da atenção à saúde, interrompia essa resolubilidade integral, enviando para o domicílio muitos pacientes reconhecidamente enfermos, por falta de suporte médico etecnológico para tratá-los, fazendo com que estes, transformassem-se em “doentes peregrinos” na fila dos hospitais.
O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, para enfrentar essa grave situação de bloqueio na atenção à saúde, cuidou de construir, reformar e equipar, por meio do Programa Saúde é Vida, Hospitais de Pequeno Porte, nos municípios que não dispunham de um leito sequer, Hospitais Gerais Regionais de média complexidade, nas 19 Regiões de Saúde do Estado, Hospitais Macrorregionais de alta complexidade, incluindo o Carlos Macieira em São Luís, além de quadriplicar os leitos de UTI existentes, ao que se soma a parceria com o Governo Federal para o reforço da atenção de urgência e emergência clínica, com a implantação das Unidades de Pronto
Atendimento (UPAS).
Desse modo, buscou encontrar um norte para o enfrentamento dos óbices à
consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), optando por uma política pública de descentralização, com base regional, de forma a procurar esgotar, nesse nível, as ações de média e alta complexidade, por meio de recursos humanos especializados, e de tecnologia, capazes de conferir uma resolubilidade integral aos pacientes de forma descentralizada, evitando as filas e o padecimento dos pacientes em busca da atenção médica nos grandes centros urbanos, o que acentua também em demasia os custos desses procedimentos médicos.
Em síntese, de forma descentralizada e regionalizada, foi redesenhado o modelo de atenção à saúde do Maranhão, garantindo a retaguarda dos atendimentos prestados pelos municípios, na atenção primária em saúde, constituindo uma rede única de atenção à saúde (RAS), articulada, integrada e regulada.
Os municípios, que representam a célula mater do Sistema Único de Saúde (SUS),
segundo o que está disposto na Constituição Federal, precisam urgentemente de mais recursos para a saúde, de forma que possam desenvolver as ações básicas em saúde e articular-se com os municípios maiores de sua região ou macrorregião de saúde, garantindo uma resolubilidade integral aos seus munícipes e conformando o que denominamos de regionalização solidária.
É essencial, contudo, para a constituição efetiva das RAS, que os municípios,
desenvolvam o perfil mínimo assistencial, definido pela Resolução nº 43/11 da
Comissão Intergestores Bipartite (CIB/MA), pois... “no Brasil, observa-se que a
existência dos hospitais de pequeno porte não está relacionada somente às condições de acesso a centros maiores, mas também à existência de municípios de pequeno porte (Ugá, M.A.D, e E.M López. Os Hospitais de Pequeno Porte e sua Inserção no SUS. Ciência e Saúde Coletiva. 2007)”. As populações desses municípios precisam ter acesso a consultas, exames clínicos e internações básicas, que lhes possa prolongar a vida. As gestantes, por exemplo, querem dar à luz nos locais onde residem e trabalham e ao lado de seus familiares, as crianças portadoras de Infecções Respiratórias Agudas precisam do tratamento adequado, assim como os idosos portadores de Doenças Crônico Degenerativas.
Entendemos, contudo, que todo processo de choque de gestão, implica sempre
resistências, talvez pelo medo do desafio, do novo. Mas tivemos a resiliência de
enfrentar tudo isso, por entender que a prioridade de qualquer governo deva ser a saúde, como bem disse Marco Túlio Cícero, filósofo e senador romano (106 a 43 a.C)... “Salus Populi Suprema Lex Esto (A Saúde do Povo é a Suprema Lei). O Programa Saúde é Vida, portanto, veio para ficar, porque não é um programa de governo, mas um programa do povo.

A QUEM INTERESSA A HISTÓRIA DA MEDICINA?

Aymoré Alvim, médico; professor universitário. AMM, SMHM e IHGM.

           

São Luís sediou, no período de 26 a 28 de novembro passado, o II Congresso Maranhense de História da Medicina. Regular presença de alunos dos cursos de Medicina, poucos de outras áreas da saúde e quase nenhum de outros cursos fora do que chamamos de campo da saúde. E médicos? Ah!, esses? Muito raros. Mas eles não têm culpa da formação tecnicista ou cartesiana que o Sistema impingiu à nossa formação. Por isto, resolvi escrever este artigo.
            Primeiramente, busquemos saber do que se trata. É uma ciência, ramo da História Geral, que estuda a saúde e a doença, na sua dimensão histórica e espacial, com vista à promoção, prevenção e cura, ou seja, promover e restabelecer o prazer de viver, dilatando, nas palavras de Botelho, J. B., os limites da vida. Não é isso que todos queremos?
            Ora, se a promoção do bem-estar e a prevenção da dor ou doença são os objetivos de todos nós que gostamos de viver bem e por muito tempo, logo o conhecimento desses valores através das sucessivas civilizações que encontramos na História da Medicina justifica ser ela do interesse de todas as pessoas que fazem isto diariamente sem se aperceberem.
Enganam-se, pois, os que pensam que Medicina é apenas uma prática de cura, monopólio dos médicos. A Medicina, desde os primórdios, é a busca do prazer de viver, do bem-estar para onde converge todo o conhecimento que o homem (Homo, inis = pessoa, sem preconceito de gênero ou sexo), vem produzindo ao longo da sua história
            Por exemplo, a Arquitetura e a Engenharia quando projetam ou executam uma construção residencial buscam, antes de tudo, a salubridade ambiental, verificando incidência de raios solares, de correntes de vento, produção de ruídos, de forma a proporcionar ao cliente uma moradia num ambiente saudável. Isto não é promover e preservar a saúde? Logo, estão fazendo Medicina.
            Tomei esses dois exemplos, que a princípio parecem distantes do que chamamos de arte de curar, para mostrar que a História da Medicina, que traz os fundamentos desses conhecimentos, é de interesse geral, independente de profissão ou campo de trabalho.
            Mas isto tudo tem uma razão lógica. Não são apenas elucubrações elaboradas em noites de vigílias. Senão vejamos: O homem, segundo estudos científicos conduzidos pela Paleoantropologia, quando começou a raciocionalizar e questionar a sua existência, isto é, a perceber o seu lugar e a sua importância, no ambiente onde vivia por volta de 40.000 a 50.000 anos atrás, as suas primeiras preocupações se voltaram para duas ações específicas: afastar a dor ou doença que o incomodava e por isso queria saber a sua origem para buscar a cura de seus males. Para isto, teve que transcender e encontrar nas divindades a causa dos seus sofrimentos. Criou, assim, a Religião.
            Sabendo a origem, buscou a solução e a proteção do seu prazer de viver, nas invocações às divindades e com uso de material biológico e químico retirados da natureza. Estava criada a Medicina ou a Arte de Curar.
            Como vemos, Medicina e Religião nasceram juntas, são irmãs gêmeas. Uma na dependência da outra. São comportamentos humanos que nortearam todo o processo civilizatório ao longo do tempo. Com elas o homem se organizou em grupos, tribos, famílias e nações. Ambas estão no cerne da nossa cultura.
            Logo, conhecer Religião e Medicina ou Medicina e Religião é conhecer o próprio homem, na sua saga através da história.
            Atualmente, a Medicina tem envolvido cada vez mais o paciente, no cenário de cura. A hegemonia histórica do médico, que ainda persiste em graus variados, vai cedendo lugar à decisão do paciente, na condução do seu processo de cura. Em decidir o que melhor lhe aprouver.
            Outro modelo que vem demonstrando isto é o já conhecido Medicina Baseada em Evidências. A velha e propalada experiência clínica deve se apoiar em evidências fundamentadas em provas científicas. Isto me faz lembrar que o antigo médico, curandeiro dos tempos pré-históricos, que funcionava como o mediador entre os doentes e os deuses, volta ao mesmo papel como o pontífice entre o seu paciente e a ciência.     
           Isto em nada lhe diminui a responsabilidade de condutor do processo, mas nos mostra como a crescente participação do paciente  vem evoluindo, ao longo do tempo, como descreve a História da Medicina, o que também fortalece a ideia de que seu estudo é de interesse de todas as pessoas.
Portanto, volto a lhes perguntar: A quem interessa, então, o estudo ou o conhecimento da História da Medicina? Como vimos, o que nela contem é do interesse de todos sem exceção, independente de confissões e profissões.


            Isto é o que eu penso. Você que está lendo este artigo pode até não concordar comigo, mas que vai achar tudo isto bem racional, tenho certeza que vai. 

OSVALDO DA COSTA NUNES FREIRE: MÉDICO, POLÍTICO E GUERREIRO.

Osvaldo da Costa Nunes Freire, nasceu no dia 06 de dezembro de 1911, maranhense de Grajaú, filho de Feliciano Antônio Freire e Olindina da Costa Nunes Freire.
Órfão ainda criança com menos de 01 ano de idade, período em que faleceu seu pai, Feliciano Antônio Freire. Cresceu ao lado da mãe valorizando o espirito familiar, a união e o trabalho. A sua mãe, típica sertaneja, exerceu forte influência na sua formação moral. Avessa a qualquer situação que não fosse o trabalho, Olindina da Costa Nunes Freire, influenciou o seu filho às coisas da família, ao trabalho honesto e ao tratamento respeitoso ao próximo. Marcas que Osvaldo da Costa Nunes Freire levou para sempre e este foi o seu primeiro aprendizado: moral e respeito ao próximo. 
Após enfrentar todas as dificuldades do sertão maranhense, viúva e com duas crianças para criar e educar, Olindina da Costa Nunes Freire, vislumbrando um futuro melhor para a família, resolve, em companhia dos filhos, Osvaldo da Costa Nunes Freire e Gerson da Costa Nunes Freire, cruzar a fronteira da terra natal e foi morar na cidade de Coroatá. 
Estabelecidos em Coroatá, Osvaldo da Costa Nunes Freire, conclui o ensino básico e decide conquistar um lugar de destaque no Maranhão. Seguiu para São Luís onde conclui o ensino secundário e o cientifico no Liceu Maranhense, direcionando a vela do barco da vida em sentido contrário ao que soprava o vento da adversidade, em um vetor que indicava a direção da vitória, mesmo que ventos procelosos pudessem tentar tirá-lo do caminho desejado.
Após a conclusão do curso científico, com a ajuda marcante e decidida do seu avô materno, Coronel Jeferson da Costa Nunes Freire, grande fazendeiro e pecuarista nas cidades de Coroatá e Vargem Grande, político influente e deputado estadual, direciona decididamente Osvaldo da Costa Nunes Freire para os estudos, em particular a Medicina. Assim segue então, com a ajuda do avô, para o estado da Bahia, e em Salvador, é aprovado para o curso de Medicina.
O irmão mais velho, Gerson da Costa Nunes Freire, seguiu o caminho da vida religiosa e se tornou um brilhante sacerdote da Igreja Católica, Monsenhor Gerson da Costa Nunes Freire.
Em 1938 após cinco anos de exaustivo estudo, formou-se em Medicina pela Universidade da Bahia, com ênfase e devido reconhecimento, por sua participação no internato da Cadeira de Clínica Médica. 
Em 1939 especializou-se em Obstetrícia na Maternidade São Cristóvão, no Rio de Janeiro, sendo aluno do Professor João Pereira Camargo. Em seguida, no Hospital Gafrée Guinle, especializou-se em Ginecologia, no serviço do Professor Clóvis Correa da Costa. Na Santa Casa de Misericórdia, também no Rio de Janeiro, especializou-se em Técnica Cirúrgica, com os Professores Doutores Mariano de Andrade e Raimundo Brito e, no Hospital Central do Exército especializou-se em Cirurgia Geral, com o Professor Ernestino de Oliveira.
No início da década de 1940 estagiou em Buenos Aires, Argentina, no Hospital Rivadavia no setor de Obstetrícia e no Hospital Alvear no setor de Ginecologia e Obstetrícia, além do Curso Intensivo de Traumatologia no Hospital dos Servidores, na cidade do Rio de Janeiro.
Concluído o ciclo de especializações, retorna a São Luís onde monta consultório e passa a exercer a Medicina, dedicando-se a Ginecologia e Obstetrícia.
Em 1946 inicia sua vida pública e exerce o cargo de Secretário de Estado dos Negócios de Saúde e Assistência Social no Maranhão. Em 1948 exerceu o cargo de Diretor do Pronto Socorro Getúlio Vargas. Em 1950 passa a ser Chefe do Serviço de Higiene e Segurança do Trabalho no Estado do Maranhão. Nesse mesmo ano assumiu a Chefia da Inspetoria Regional do Serviço de Assistência Médico-Cirúrgico-Social ao Trabalhador. 
Em 1951 foi eleito Deputado Estadual, onde exerceu o mandato até 1955, sendo reeleito em 1955/1959 e 1959/1963, época em que foi Presidente da Assembleia Legislativa.
Foi Presidente da Federação das Associações Rurais do Maranhão, Presidente do Diretório Regional da UDN – Maranhão e Presidente do Conselho Regional do Serviço Social Rural no Maranhão.
Foi filiado a UDN (União Democrática Nacional), PST (Partido Social Trabalhista) e PSD (Partido Social Democrático).
Foi eleito Deputado Federal em 1966 pela ARENA (Aliança Renovadora Nacional), assumindo a legislatura em 1967. Foi reeleito Deputado Federal em 1971.
Foi Vice-Presidente Regional da Arena e como Deputado Federal, no exercício parlamentar, ocupou a Comissão de Agricultura e Política Rural, Comissão da Saúde e as Comissões Especiais Polígono das Secas e Valorização Econômica da Amazônia.
Foi membro de diversas delegações da Câmara dos Deputados em viagens de trabalho ao exterior.
Tribuno inteligente costumava defender os interesses políticos com respostas desconcertantes, sempre deixando seus interlocutores ou adversários sem respostas. Outras vezes aplicava a lei da física: toda ação corresponde a uma reação. Deputado que se fez respeitar por sua honestidade, palavra empenhada e zelo pelo patrimônio público.
Em 1974 foi indicado pelo Exmo. Presidente da República, General Ernesto Geisel, para o Governo do Estado do Maranhão, assumindo o mais alto escalão da Política Estadual em março de 1975. O Vice-Governador indicado era o médico cardiologista Dr. José Murad.
Dr. Osvaldo da Costa Nunes Freira administrou o Maranhão valorizando especialmente o homem do campo e os negócios da agricultura e pecuária. Em seu Governo foi criado o Matadouro Industrial e a Usina de Pasteurização de Leite. Inaugurou os Conjuntos Residenciais do Vinhais com 1.632 unidades residenciais, Bequimão com 1.190 unidades residenciais, Turu com 767 unidades residenciais e Angelim com 654 unidades residenciais. Todos esses conjuntos foram entregues com infraestrutura completa, creche, centro de saúde, escola integrada do 1º e 2º grau, centro de abastecimento (mercado), centro social urbano (CSU), centro comercial, delegacia de polícia e administração. É do seu Governo o projeto do Complexo Esportivo do Maranhão (Castelão) e a Ponte Bandeira Tribuzi. O governo Nunes Freire foi voltado exclusivamente para o campo, em particular a agricultura, não tendo construído nenhuma obra de “fachada”, todas tinham o homem em primeiro lugar.
Enfrentou desafios e desafetos notórios, problemas de saúde, adversidade política e oposição implacável. Concluiu o seu governo de maneira altiva, punindo exemplarmente um secretario de estado que se negou a cumprir uma ordem que beneficiava os funcionários públicos, a fim favorecer o governador que assumiria o seu cargo. Ficou para a história como um homem, correto, honesto e trabalhador.
Em gesto de grandeza democrática em um Brasil que vivia ainda de exceção, Osvaldo da Costa Nunes Freire em março de 1979 passa a faixa de Governador do Estado do Maranhão para João Castelo Ribeiro Gonçalves, político adversário e que fora escolhido pelo Exmo. Presidente da República, General João Batista de Figueiredo, para o Governo do Estado. 
Saiu da cena política e retorna à vida privada, não mais exercendo a Medicina, passa a cuidar dos seus negócios, principalmente agropecuários, na cidade de Vargem Grande e Coroatá, em companhia da família e da presença permanente, estimulante, conselheira e participe ativa de todos os seus êxitos a sua amada esposa, Delci de Araújo Nunes Freire.
No dia 06 de junho de 1986 Osvaldo da Costa Nunes Freire se despede da vida e ingressa no Memorial dos Inesquecíveis! 
Osvaldo da Costa Nunes Freire é Patrono da Cadeira Nº 33 da Academia Maranhense de Medicina.

AGRADEÇO A FAMÍLIA NUNES FREIRE, EM PARTICULAR AO DR. LUÍS CARLOS NUNES FREIRE E VIRGINIA NUNES FREIRE, PELAS RELEVANTES INFORMAÇÕES.

ACROMEGALIA E SCHWANNOMA VESTIBULAR (Complexo de Carney?): Um caso incomum.

Laís Lucena Silveira - SILVEIRA, LL – UNICEUMA e SMHM;  Iracema Gomes Lucena Silveira - SILVEIRA, IGL – UNICEUMA;  Viviane Chaves de Carvalho Rocha - ROCHA, VCC – HUUFMA;  Maria de Fátima Barros Sales - SALES, MFB – UNICEUMA;  Marcos Alves Lemos - LEMOS, MA – UNICEUMA;  Iracema Gomes Lucena Silveira - SILVEIRA, IGL – UNICEUMA.

INTRODUÇÃO

A acromegalia, causada pela hipersecreção do hormônio do crescimento (GH), e se caracteriza por aumento das partes moles e artralgias, com consequente elevação dos níveis plasmáticos de GF-I. Acomete mais o sexo feminino, entre a 3a e 4a décadas de vida.
Schwannoma vestibular é um tumor no nervo vestibulococlear, de crescimento lento e natureza geralmente benigna. É um tumor incomum e de baixa incidência, que afeta mais mulheres adultas entre 30 e 60 anos.  
O Complexo de Carney (CNC) pode ser definido como uma forma de neoplasia endócrina múltipla familial de herança autossômica, associada a alteração de pigmentação cutânea e de mucosa, doença nodular pigmentosa primária das adrenais, mixomas cardíacos e cutâneos, adenomas hipofisários produtores de GH e PRL, carcinoma de tireóide, além de cistos ovarianos.

OBJETIVOS

Relato de caso de associação de Acromegalia com Schwannoma ocorrido no HUUFMA, São Luís – MA.
(RELATO) MATERIAL E MÉTODO: TML, 60 anos, casada, natural e residente em São Luís, MA. Paciente diabética há 03 anos, hipertensa, obesa, ex-tabagista, acromegalia com diagnóstico há cerca de 03 anos, em uso de Sandostatin 20mg, Crestor 10 mg, Atacand comb 16/2,5mg, Somalgin cardio 100mg, Glifage XR 500mg 3x e Galvus 50mg 2x. Paciente foi diagnosticada com schwannoma do nervo vestibular em conduto interno direito por queixas de zumbido. Relata que o Pai faleceu aos 77 anos, também com acromegalia, tireoideopatia e CA de próstata. Refere ainda que realizou colonoscopia há 04 anos (normal-SIC). À RM da hipófise revelou lesão de 0,9 x 1,1 x 1cm. Em 11/02/14, sem uso de sandostatin,realixou exames: GH 0,15ng/ml, IGF1 197  (81-225), função tireoidiana e prolactina normais. Ao diagnóstico de acromegalia, em 27/09/10: IGF-I 732 (81-125). A paciente segue em uso de medicação regular (sandostatin 20 mg.

CONCLUSÃO:  Schwannomas vestibulares acometem o VIII par craniano, responsável pelo equilíbrio e audição. Geralmente crescem lentamente e em muitos casos, sem sintomatologia aparente.

 Estes tumores podem apresentar sintomas relacionados com perda auditiva. Dentre os achados da paciente, chama atenção o fato de seu caso reunir 02 critérios maiores (Schwannoma melanótico e Acromegalia) e 1 critério suplementar para o diagnóstico de Carney (parente de primeiro grau afetado, também diagnosticado com acromegalia).